quinta-feira, 21 de junho de 2007

** Admirável Universidade Nova **



ADMIRÁVEL UNIVERSIDADE NOVA



Esse pequeno conto se passa numa universidade num lugar distante de um futuro de data imprecisa, mas de certa forma também se passa exatamente aqui e agora. Alertamos que não se trata de exercício de previsão, mas, antes disso, uma esperança de que não se trate de uma previsão. A cena ocorre mais especificamente na sala de aula do futuro, um auditório, cujos assentos, por uma questão de racionamento de espaço, estão empilhados uns em cima dos outros em forma de um estoque de sardinhas enlatadas. Trata-se de uma aula de História das Idéias Ultrapassadas, em vias de ser banida porque na universidade do futuro não se aprecia o estudo da História. A rigor, como a universidade do futuro é internacional e, portanto, padronizada, todas as aulas são ministradas em inglês, o que nos demandou um grande esforço de tradução, já que nem todos os termos do inglês do futuro têm correspondentes no português atual. Aliás, o português é umas das milhares de línguas e dialetos que entraram em extinção. Na sala, centenas de jovens estão em silêncio e imóveis, olhando fixamente para a imagem do que outrora costumava ser conhecido como professor:
- Bem, continuando, nesse holograma podemos ver uma peça que data do século XIX, conhecida atualmente como "Universidade Velha", um modelo obsoleto de ensino superior caracterizado pelos altos custos, baixa produtividade e ineficiência na formatação dos depositários fabricados, cujos últimos resquícios datam do início do século XXI, ou, para ser mais preciso, usando o sistema de contagem em vigor, do ano 150 d.F. (depois de Ford). Na verdade, naquela época os depositários como vocês eram chamados de "estudantes", mas a denominação padrão foi modificada desde que a Universidade percebeu a importância de oficializar o modelo de Educação Bancária, conceito que foi muito bem desenvolvido por um grande teórico chamado Paulo Freire, que estudou a Educação Bancária com o objetivo de destruí-la, mas o sistema, obviamente, hoje se aproveita de seus estudos para desenvolvê-la cada vez mais. Como eu ia dizendo, há muito tempo que esse modelo de "Universidade Velha" foi substituído pela "Universidade Nova", que é a que vocês têm o privilégio de freqüentar agora, uma universidade sintonizada com a era da sociedade do conhecimento e com a internacionalização proveniente do processo de globalização.
Durante a explicação, no entanto, uma garota baixinha chamada Mafalda se inquietava, lá no fundo, achando que tinha alguma coisa errada naquela história toda. Sem saber como agir, teve um impulso e tomou uma atitude impensada: fez uma pergunta.
- Mas, senhor depositante, a imagem dessa "universidade velha" apresentada no holograma é praticamente igual à "Universidade Nova" que nós estamos agora, existe alguma diferença entre as duas?
- Minha cara... Herr, deixe-me ver... Minha cara MX-7892, em primeiro lugar, você bem sabe que numa turma com 500 depositários como a que estamos não dá para todos ficarem tirando suas dúvidas pessoais, portanto questionamentos como o seu são severamente desestimuladas por representarem um gesto de egoísmo e prejudicarem o resto da turma. Sua nota na disciplina acaba de ficar 10 dólares mais cara! A propósito, ao fim da aula eu quero que você vá ao setor médico para examinar se você tem tomado sua dose obrigatória de tranqüilizante. Mas para não ser chamado de anti-didático, vou responder à sua questão. Em termos de estrutura física a "Universidade Nova" é realmente quase igual à "Universidade Velha", exceto pelo fato de que atualmente a Bolha Universitária, antigamente chamada de Campus, é muito mais segura: os muros são muito mais altos, as cercas foram eletrificadas, os vidros são blindados e, claro, há câmeras por toda a parte para monitorar a segurança de vocês. Mas na verdade não é só na aparência física que existe essa semelhança: tanto a Universidade Velha quanto a Universidade Nova têm exatamente o mesmo objetivo, transformar a perigosa energia potencialmente destrutiva, criativa e revolucionária da juventude em força de trabalho para garantir a estabilidade social. Afinal, qual o princípio fundamental da sociedade civilizada?
- NÃO HÁ CIVILIZAÇÃO SEM ESTABILIDADE SOCIAL. – Repete três vezes a turma, em coro.
- Muito bem! Em última instância, a finalidade da universidade e da educação como um todo é condicionar vocês, e como disse o visionário Aldous Huxley em seu Admirável Mundo Novo, o fim de todo o condicionamento é fazer as pessoas apreciarem o destino social a que não podem escapar. Por isso, em essência a universidade teve que se renovar para manter tudo igual. Aliás isso é a regra no capitalismo, as empresas têm sempre que lançar novos produtos no mercado, ou os mesmos produtos com uma nova roupagem, para se manterem competitivas. Nada mais lógico que as universidades seguirem o mesmo modelo. Como disse o Grande Ford: "Viva o Novo"!
- Graças a Ford! – os depositários repetem, fazendo o sinal do T.
- Então, podemos analisar a inovação trazida pela "Universidade Nova" sob dois aspectos. Por um lado, foi um grande golpe de publicidade, não apenas pelo impacto da marca nova, mas principalmente para aliviar as pressões sociais que, àquela altura, exigiam que a universidade fosse utilizada como instrumento de inclusão social e que as estruturas acadêmicas fossem reformuladas para esse fim. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho também exigia uma nova formação acadêmica, pois a flexibilização do trabalho exigia um trabalhador mais flexível, ou seja, um grande exército de reserva de mão de obra barata com uma formação mais generalista, para assim reduzir ao mesmo tempo a quantidade de postos de trabalho e o poder de barganha do trabalhador e, dessa forma, os salários. Assim, surgiu o chamado ciclo básico, graças ao qual vocês têm a honra de assistir a essa aula nesse auditório, ao mesmo tempo em que estamos sendo transmitidos ao vivo para outras 80 turmas espalhadas pelo país. Isso sim é um exemplo de produtividade! Ao mesmo tempo, deveria haver uma formação de excelência restrita representada pelos Mestrados e Doutorados para a formação da elite dominante. E assim surgiu a "Universidade Nova"! Não era democratização do acesso o que os rebeldes da época pediam? Pois nós democratizamos não só o acesso, democratizamos a subserviência, o democratizamos o pensamento único, democratizamos o desemprego, que, como vocês sabem, são fatores essenciais para o acúmulo de capital e para a estabilidade social. Não gritavam tanto contra o autoritarismo? Pois nós lhes demos liberdade, mas a liberdade pacífica de colaborarem com o sistema!
- Mas, senhor depositário, na época esses estudantes rebeldes de que o senhor fala não se opuseram também à Universidade Nova? – Mafalda não conseguiu se controlar, já se arrependendo de não ter tomado a sua dose obrigatória de entorpecente.
- MX-7892, esses seus questionamentos inquietam a turma, eles despertam a praga da curiosidade! Acabo de acrescentar mais 100 dólares de débito à sua nota! Mas mais uma vez, vou ser generoso e responder a sua pergunta. Os "estudantes rebeldes" daquela época bem podiam ter derrubado a Universidade Nova, sim, podiam até ter ido além, podiam ter construído uma heresia como uma universidade verdadeiramente popular se tivessem lutado, mas felizmente, nós os paralisamos com a mais eficiente das armas: oferecemo-lhes o poder. Cargos, financiamento, representatividade nos conselhos deliberativos, enfim, bastou seduzi-los com a disputa institucional que eles não faziam nada mais que disputar eleições e brigar por cargos. Não é a toa que esses mesmos estudantes rebeldes hoje formam a elite política e econômica que nos permitem desfrutar da Universidade Nova...
Mafalda já não conseguia mais prestar atenção. Ainda quis dizer alguma coisa, mas se segurou. Não sabia de onde tiraria mais dinheiro para ser aprovada, já que as multas extrapolavam em muito o valor da sua bolsa permanência. Sentia dentro do peito uma sensação estranha, algo que não sabia explicar de tão absurdo que era, como uma vontade de questionar, de gritar, de resistir, de protestar... Mas era como se fosse uma vontade fora de época, o tempo que havia para aquilo ser feito era o tempo mítico dos "estudantes rebeldes" ao qual o senhor depositário se referia... Mas aquele tempo passou, aquela geração tinha se calado, e Mafalda também se calou. Discretamente, escreveu em seu caderno: "O novo já nasce velho...".

[Henrique Souza – Militante do SAJU e d@ Comuna]www.universidadepopular.blogspot.com/ ]

quinta-feira, 7 de junho de 2007

** Assembléia Geral dos Estudantes da UFPR **

O ato dos servidores NÃO É BRINCADEIRA!

Uma ocupação de reitoria é um ato político sério que deve ter grande participação dos estudantes, com o objetivo de pressionar a administração.
A pseudo-ocupação proposta no dia 5 de Junho pelo DCE, fere tais preceitos, pois além de não ter sido discutida com os universitários, teve o aval da reitoria – sendo previamente estruturada com hora marcada pra acabar independente das pautas serem atendidas ou não.
Além disso, esta chamada para “ocupação” desviou do real foco daquele dia: o ato dos servidores, que foi o resultado de um movimento de greve o qual reivindica:

· Contra a privatização do Hospital de Clínicas;
· Aumento regular dos salários (hoje é o menor piso entre os servidores públicos);
· Pela continuação do “Direito de greve” – Autonomia Sindical;
· Pela abertura de concursos – Hoje, vemos o expressivo aumento do trabalho terceirizado, com a finalidade de reduzir custos, através da contratação de trabalhadores com salários inferiores, sem estabilidade e possibilidade ínfima de reivindicar seus direitos.

E isto tem haver com os estudantes por que:

· A privatização do HC, por exemplo, diminui a quantidade de leitos e os atendimentos especializados;
· Diminui o campo de estágio dos estudantes da área da saúde, o ensino e a pesquisa;
· Precariza o trabalho dos técnicos, diminuindo a qualidade dos serviços prestados (Restaurante Universitário, Bibliotecas, Laboratórios, Setor Administrativo entre outros);
Além disso, a Assessoria de Assuntos Estudantis nas ultimas semanas lançou um informe sobre a verba que seria destinada aos centros acadêmicos e ao DCE. Desta verba, uma parte vem do tesouro nacional e outra dos espaços privatizados dentro da UFPR. Acreditamos que essa verba não seja suficiente para as atividades dos estudantes e a autonomia dos CA’s fica comprometida por esta vir de espaços privatizados inviabilizando as lutas do movimento estudantil.


Tragam suas pautas!



VENHAM CONSTRUIR UM ATO DE VERDADE, apoiando os servidores e estas reivindicações supracitadas, afinal esta luta também é sua!





Não deixe que poucos decidam por você, participe da Assembléia Geral dos Estudantes, no dia 13 de Junho às 11 horas, no R.U Central.


FRENTE DE LUTA CONTRA A REFORMA UNIVERSITÁRIA - COMITE UFPR

* Agenda para Junho *

Aproveitando o email do prof Paulo Perna repasso-o à vocês.
ATENÇÃO ESTUDANTES!!!
Você sabe porque os servidores estão em greve???
Você tem alguma opinião sobre isso???
Você sabe o que está contecendo na USP e demais universidades brasileiras???
Vai passar a faculdade inteira sem participar de nada???
Devido à situação atual da universidade o movimento estudantil convoca a todos para:
  • Assembléia de estudantes na quarta feira que vem (dia 13/06) no R.U. central às 11:00h.
A pauta é a greve dos servidores e a reforma universitária. É extremamente importante a presença de todos! A assembléia é o espaço para a decisão dos estudantes.Tente falar com o professor para dispensar a aula neste horário. Combine com a sua turma para irem juntos.
Chega de apatia no movimento estudantil!
Informe-se sobre a greve e reforma universitária em:http://www.andes.org.%20br/ (sindicato nacional dos professores universitários)http://www.sinditestpr.%20org.br/ (sindicato dos técnicos da UFPR).
  • Além disso, na quinta-feira dia 14 acontecerá a Assembléia dos estudantes de Enfermagem as 11 horas na sala atrás do Anfiteatro do Setor de saúde. A participação de todos é muito importante para estarmos decidindo sobre o nosso curso.

As pautas serão:
EREEn
ENEEn
ELEIÇÕES 2007

  • Ainda no mês de Junho, nos dias 15, 16 e 17 acontecerá em Curitiba o XVI Encontro Regional de Enfermagem, cujo temas debatidos vão desde movimento da Enfermagem, formação, representação a controle social.

O valor da inscrição é de 50 reais, incluido alojamento, alimentação e inscrição.

Local: CEPAT – Casa do trabalhador. Rua João Batista Gabardo, 151 - Bairro: Sítio Cercado. Curitiba Sitio Cercado.

Para chegar até lá: Ir ate o Terminal do Pinheirinho (SANTA CÂNDIDA-PINHEIRINHO) e de lá pegar ou o alimentador Rio Negro ou o Santa Joana. Descer no ultimo ponto da rua Cruzeiro do Sul.

Para mais informações ligue para (41)8407-2387 ou (41)9989-1761